|
|
Confirmando mais uma vez o sucesso de seu formato,
onde proporciona à comunidade grandes espetáculos reservados aos teatros
e condiciona as apresentações ao prazer de dançar, sem competitividade,
a Mostra Corumbá – Santuário Ecológico da Dança manteve a qualidade e o
nível técnico, dentro e fora do palco. O evento retorna em 2008 com
algumas reformulações e o projeto está pronto para captação de recursos.
A mostra é uma proposta cara (cerca de R$ 700 mil) e a edição deste ano
poderia não ter sido realizada se não fosse o patrocínio de grandes
parceiros como a Prefeitura de Corumbá, Petrobras e Eletrobrás. A
coordenadora-técnica Márcia Rolon disse que a mostra tem o
reconhecimento do público e das grandes companhias de dança, mas ainda
necessita de maior apoio cultural do governo e setor privado.
A dança contemporânea deve sofrer mudanças para o próximo ano, como
sugere a curadora do evento, Suzana Braga. Haverá, também, um maior
rigor nas apresentações. Algumas companhias excederem em seu tempo
trazendo a coreografia completa. “Atitudes como esta prejudica, não
podemos ultrapassar uma hora e quarenta minutos de espetáculo, em
respeito ao público”, explicou Márcia Rolon.
Inspira as crianças
Na avaliação de Suzana Braga, que participa desde a primeira edição, em
2001, o público já apontou suas preferências para as dança clássicas e
moderna, por isso vai propor a redução dos espetáculos contemporâneos.
“Adorei Larvárias (Grupo Giro, do RS), mas temos que achar um time, para
não carregar muito com o contemporâneo”, disse a curadora, que também
promete uma seleção mais rigorosa para 2008.
Enquanto o pessoal dos bastidores, em ritmo frenético, iniciavam a
desmontagem da estrutura colocada na Praça Generoso Ponce, ao final da
última noite de espetáculos, Márcia Rolon destacava a participação do
público (média de quatro mil pessoas por noite), que foi melhor do que
em 2006. “Foi uma batalha, mas compensou, mais uma vez. A mostra cumpre
seu papel, que é fortalecer o Moinho Cultural.”
A coordenadora do evento afirmou que as grandes estrelas e grupos
nacionais elogiam muito a área técnica, que não teve falhas. “É uma
equipe pronta, que está sempre alegre, feliz com o que faz”, diz. A
mostra, segundo ela, inspira muito as crianças do Moinho Cultural, que
ganham mais conhecimento cultural que necessitam para se evoluírem
também na dança e na música.
Deixando saudades
Quem veio de fora também não poupou elogios. A representante do Conselho
Internacional da Dança, portuguesa Wanda Ribeiro, destacou a qualidade
do evento e sua relação com a ecologia e a variedade e criatividade dos
espetáculos. A sul-mato-grossense Beatriz de Almeida, bailarina e
coreógrafa, citou a democratização da arte que o evento proporciona,
além de oferecer cursos gratuitos à comunidade.
“É uma honra subir no palco e dançar para o público corumbaense”, diz
Beatriz. Para a presidente do Conselho Brasileiro de Dança, Mariza
Estrella, que participa pela terceira vez, a mostra desse ano já começa
a deixar saudades. “Estou apaixonada por esse extraordinário festival,
principalmente pela sua relação com o público. E quando observamos o
palco sendo desmontado sentimos um pouco de vazio”, observou. |
|