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A penúltima noite de espetáculos da 7ª Mostra
Corumbá – Santuário Ecológico da Dança, neste sábado, foi especial para
o Moinho Cultural Sul-Americano, que nasceu em 2005 a partir da
iniciativa do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) de trazer a arte das
sapatilhas para a praça. A coreografia Mestiçagem, da diretora e
bailarina Márcia Rolon, empolgou o público, que aplaudiu de pé o
excelente trabalho dos professores de balé e música da escola.
Mestiçagem está sendo montado por Márcia Rolon para ser um balé
contemporâneo completo da companhia de dança do moinho, baseado em
poemas do consagrado poeta pantaneiro Manoel de Barros. A coreografia
leva para o palco músicos do Programa Vale Música da escola, que fizeram
composições especialmente para o espetáculo, mesclando-as com Uakit,
Almir Sater e ritmos fronteiros, como a clássica Mercedita.
A presença do violino, flauta, violão, teclado e percussão no palco da
Praça Generoso Ponce, com uma mixagem perfeita entre o ao vivo e o
eletrônico, deu uma nova roupagem a proposta de Márcia Rolon de mostrar
os ciclos das águas no Pantanal, onde nasceu na beira do Rio Taquari. A
interpretação corporal de grande expressividade de Márcia e mais cinco
bailarinos e os músicos, estes estáticos, se completam.
“A coreografia mostra esse ciclo da vida, entre os momentos de calmaria,
do respirar, do difícil andar no nosso Pantanal com nessa areia nos pés.
Eu tenho esse ciclo dentro de mim, pois nasci aqui”, disse Márcia Rolon,
ao final do espetáculo, feliz pela reação do público e pela marcante
estréia do seu novo trabalho. A coreografia também é um alerta para a
conservação das águas pantaneiras, que ainda são abundantes, porém
ameaçadas pelo aquecimento global.
Enquanto recebia cumprimentos do público e dos bailarinos de outras
companhias que assistiam ao espetáculo, já no piso da arena montada na
praça, a diretora e bailarina do Moinho Cultural recebeu um abraço
especial, da presidente do Conselho Brasileiro de Dança, Mariza
Estrella. “Estou impressionada com você, menina. Parabéns”, disse a
convidada especial da mostra e uma das participantes do primeiro fórum
da dança, que faz parte da programação paralela.
Márcia dançou ao lado dos professores-bailarinos Greidison Araújo,
Mariana Porfírio, Flávia Adário e os premiados no último Festival de
Joinville, Andréa Carla e André Souza. O embrião do balé Mestiçagem teve
a duração de 15 minutos. Sua apresentação completa ocorrerá na Mostra de
2008, em 50 minutos. Sua autora quer incluir outros ritmos musicais e
instrumentos fronteiriços, como a harpa e o xarango.
Outros destaques
A quinta noite da mostra foi aberta pela premiada Companhia do Giro(RS),
que trouxe a elogiada coreografia Larvárias, uma experiência bastante
incomum nos palcos brasileiros, em que o corpo de transforma em larva.
Como? As Larvárias são estruturas enormes, brancas e de diversas formas
que, quando colocadas sobre a face, remetem imediatamente a figura
humana a um universo delicado e sutil.
A máscara cobre a boca, e passa a desenhar poesias involuntárias no
espaço, ao associar a natural força plástica destas a uma condução
sensível do movimento. A coreografia é inspirada na estética das
máscaras do Carnaval de Basel (Suíça), introduzidas no universo teatral
na década de 60 pelo francês Jacques Lecoq. Daniela Carmona assina o
roteiro e a direção, dividindo a cena com o ator Adriano Basegio.
Além do Moinho Cultural, que funciona no Porto-Geral de Corumbá, mais
cinco companhias de Mato Grosso do Sul se apresentaram nesta noite, com
os espetáculos: Amarras, pela Companhia de Dança Unidança (Universidade
Federal de MS, UFMS); Mulheres que correm com lobos, pelo Studio Blanche
Torres; Tanguera, pelo Grupo Imagens Só Dança Auxiliadora; Amor e Carne,
pela Academia Belo Bailado; e Feminino, pela Companhia de Artes Uniderp.
A Mostra Corumbá reúne 700 bailarinos e 39 espetáculos. Iniciada no dia
4 encerra-se neste domingo. Tem o patrocínio da Petrobras, Prefeitura de
Corumbá e Eletrobrás; apoio da Enersul e, como colaboradores, as
empresas MMX, Companhia Vale do Rio Doce/Urucum Mineração. O incentivo
cultural é do projeto Rumos Itaú Cultural, Pantur Turismo, Andorinha,
Governo Federal (Lei de Incentivo à Cultura) e Governo do Estado do Rio
de Janeiro. |
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